Introdução

Sobre as articulações do corpo humano

Uma leitura pausada sobre aquilo que nos permite dobrar um joelho, escrever uma carta ou levantar uma criança ao colo.

Chamamos articulação ao ponto onde dois ossos se encontram. É uma definição simples para uma realidade extraordinariamente elaborada. No corpo humano existem cerca de trezentas e sessenta articulações, das microscópicas suturas do crânio às grandes esferas da anca.

Nem todas se movem. Algumas — como as que unem os ossos do crânio — existem para conferir estabilidade e crescer connosco na infância. Outras, pelo contrário, foram desenhadas para a mobilidade permanente e constituem aquilo que, em linguagem corrente, chamamos «juntas».

É nestas últimas que se concentram as queixas mais comuns em consulta: joelhos, ancas, ombros, cotovelos, punhos e coluna lombar. São também estas que respondem melhor aos cuidados quotidianos.

Ilustração anatómica do joelho
Corte transversal do joelho: cartilagem, menisco e cápsula sinovial.

Três famílias de articulações

Fibrosas

Praticamente imóveis. As suturas do crânio são o exemplo mais claro. Existem para proteger o que está por dentro.

Cartilagíneas

Movimento reduzido. Os discos intervertebrais pertencem a esta família e absorvem cargas ao longo do dia.

Sinoviais

Movimento amplo. Aqui vivem os joelhos, ombros, cotovelos, ancas e a grande maioria das dores articulares.

Cartilagem: o tecido que se alimenta de movimento.

A cartilagem articular não tem vasos sanguíneos próprios. Isto significa que os seus nutrientes chegam por difusão a partir do líquido sinovial que a envolve. E o líquido sinovial só circula convenientemente quando a articulação se move.

Este pormenor mudou a fisioterapia moderna: perceber que o repouso prolongado pode ser tão prejudicial quanto o esforço excessivo, e que a maioria das articulações beneficia de estímulos regulares e moderados.

Mãos idosas gentilmente entrelaçadas

Ao longo da vida

Cada idade, uma preocupação diferente.

Na adolescência preocupamo-nos com lesões desportivas. Nos vinte e trinta, com o sedentarismo do trabalho de escritório. Aos quarenta começam a aparecer os pequenos avisos matinais e, mais tarde, a osteoartrose e a osteoporose ganham protagonismo.

Não existe uma idade certa para começar a cuidar das articulações. Existe apenas uma idade errada: aquela em que já não se pensa nisso.

Números para reter

≈ 360
articulações no corpo adulto
1 a 3 mm
espessura média da cartilagem
8 a 12 kg
carga no joelho ao subir uma escada
+30 min/dia
de movimento reduzem risco de artrose
«Um joelho saudável não é um joelho que nunca dói. É um joelho que se queixa a tempo e que sabemos escutar.»

Dr. Rui Almeida, ortopedista, Porto